sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carol Bernardo Entrevista Eu


Minha amiga e companheira Carol lá do Pará, militante da Marcha, Kizomba e JDS fez uma singela entrevista comigo.



Entrevista com Daniel Caldas Gaspar* Diretor de Relações Internacionais da União Nacional dos Estudantes-UNE

Caroline Costa Bernardo (CCB): Qual é o planejamento da sua diretoria para esse gestão?

Daniel Caldas Gaspar (DCG): O plano é participar dos Fóruns estudantis internacionais que acontecerão até 2011 como o Congresso da OCLAE - Organização Caribenha e Latina Americana dos Estudantes - , que acontecerá na República Dominicana, agora em 2010, e tentar trazer o Congresso da UIE - União Internacional dos Estudantes - para o Brasil em 2011. Esses serão momentos importantes de articulação com entidades estudantis de outros países. Os 10 anos do Acampamento Intercontinetal de Juventude, que serão celebrados e debatidos agora em Porto Alegre e o Fórum Social Mundial de 2011, a ser realizado em Dakar, no Senegal também são centrais para o moviemento estudantil de esquerda.

Além disso, é preciso reforçar o internacionalismo junto aos estudantes na Universidade, pensar a democratização do acesso e das estruturas do ensino superior como um processo que não se fragmenta pela simples tranposição de fronteiras geográficas. Sua função social também não se
esgota no território onde a instituição se instala, a Universidade deve produzir conhecimento e soluções para os problemas de toda a América Latina, a exemplo da Unila - Universidade da Integração Latino-Americana , recém criada pelo Governo Lula.

(CCB): Quais as conquistas desse 6 meses de gestão?

(DCG): A sanção dada pelo Presidente Lula à UNILA foi a mais expressiva conquista do movimento estudantil e do internacionalismo nos últimos meses. Isso porque esta foi não só uma luta pela expansão da universidade pública, como também uma disputa em torno do papel da universidade, de que ela tem que ser socialmente referenciada, tem que pensar os problemas dos povos latino-americanos e não das classes dominantes, tem que formar cidadãos críticos ao modelo de sociedade em que vivemos e não apenas conformar para o mercado de trabalho.

(CCB): Quais são as projeções pro futuro?

(DCG): Olha, Carol, além dos Fóruns estudantis que eu citei e a necessidade de reforçar a identidade internacionalista na universidade, esse ano é um ano crucial para a continuação das transformações na América Latina por causa das eleições presidenciais no Brasil. A UNE tem que colocar seu projeto de Brasil para a sociedade mostrar quais das candidatas ou candidatos defendem esse projeto. A resposta, pelo que vem ocorrendo nos últimos anos de Governo Lula, eu já posso adiantar: é a candidatura de Dilma Rousseff.

(CCB): O que você espera desse ano tão importante, que é 2010?

(DCG): Eleger a Dilma para que a chama do socialismo na América Latina continue acesa.

(CCB): Tem congresso da OCLAE, né?

(DCG): Sim, como falei, o Congresso ocorrerá na República Dominicana em março e reunirá delegados de toda América Latina e Caribe. Este será um espaço importante para discutirmos alternativas à crise do capitalismo e para articularmos a defesa do projeto da esquerda na América Latina, golpeado nos últimos meses em Honduras e no Chile.

(CCB): E como você vê esses últimos acontecimentos internacionais?

(DCG): Era de se esperar que a direita se reorganizasse, pisando sobe a democracia e os direitos humanos, como no caso de Honduras, que Zelaya não foi reempossado, e no Chile, que um velho empresário pinochetista tomou ou poder. É preciso que esteja claro para a esquerda, para nós, socialistas, que nosso projeto pode sofrer revezes, refluxo, mas que ele é sólido e inspirado numa democracia de massas.

(CCB): Alguma frase pro final?

(DCG): De Evo Morales ao criticar a intervenção militar dos EUA no Haiti: "Os
tempos de império estão terminado: são tempos de povos.".


* Daniel Caldas Gaspar é formado em Direito pela PUC-Rio, está cursando Ciências Sociais na UFRJ. Foi diretor de Políticas Educacionais da UEE-RJ, é secretário municipal da JPT Rio e diretor de Relações Internacionais da UNE-Pelo campo Kizomba.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"Lindalva, amor, não repare não essa mancha de gurdura nesse papel, que é guardanapo de bar bêbado de óleo de croquete. Tava tirando a barriga da miséria quando lembrei de ti, de que eu tinha prometido te visitar. Era 5 e meia da tarde, eu tinha acabado de largar a fazenda, passei no córrego e fui guiado pela necessidade até o boteco de Dona Mira.
Agora, já é 15 pra meia noite. Demorô porque eu encontrei com os menino da fazenda de seu Teobaldo e a gente, que não é santo, tomemo umas branquinha.
Joguemo um palavreado fora e aí já tinha ido bem umas 3 hora. Fui acertar as conta com Dona Mira e, arriégua!, só senti o safanão bradando na planta de meu ouvidor esquerdo. Era siô Viana, sem camisa, com aquela cicatriz de cruz remoída que ele tem no peito. Me disse que eu tava devendo uma conta dum carteado jogado - confesso que ladroei - numa pensãozinha região de Morro Verde e que, hoje, veja só, Lindalva, eu sentir o bafo do demo. Na hora, me dobrei-lhe as pernas e pus a falar que nem pintinho com os olho bem fechadinho. Quando eu não tava mais enxergando nada, eu me lembrei do dia em que Miguelzinho, nosso filho, veio e você foi. Não sabia pra quem chorar naquele dia. Acabei abandonando o gurizinho no colo de tia Inácia.
Foi mesmo triste te ver naquela caixinha de madeira, sem alça, cupinzada. Ter que agradecer ao pessoal na rua que ajudou a te levar. Tava tão bobo, que nem me alembro onde tu foi enterrada. É por isso que tô te escrevendo essa carta.
Siô Viana, esse baba ovo de patrão, não conseguiu marcar meu encontro com o Cramunhão não. Tô aqui, vivinho. Só peço desculpas também pelo pouquinho de sangue meu que escapou sem querer nessa carta. Não foi minha intenção, tentei até butar tudo pra dentro de mim de novo.
Num sei em que terra que eu te butei debaixo não, flor. Essa carta aqui te entrego ainda hoje pessoalmente."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Unila - Nosso Norte é o Sul!

Esse texto aqui eu fiz pra falar da UNILA - a Universidade da Intergração Latino-Americana. É um grande avanço no ensino superior do Brasil!

Unila: nosso norte é o sul Versão para Impressão Enviar por e-mail


28/12/2009. A União Nacional dos Estudantes, ao longo de seus mais de 70 anos de história, sempre teve e defendeu como objetivos estratégicos a democratização do acesso à universidade pública e a integração da América Latina para a promoção do desenvolvimento regional sustentável e soberano. A criação da Unila – Universidade Federal da Integração Latino Americana – é mais um grande passo que o Governo Lula dá em direção a uma nova América Latina.

Daniel Gaspar *

Em Montevidéu, uma jovem de 19 anos conta à mãe que pretende entrar na universidade para cursar História e Direitos Humanos na América Latina. Em Teresina, Piauí, um rapaz de 20 confessa aos pais que optou pela cadeira de Saúde Coletiva e Preventiva em vez da tradicional e disputada faculdade de Medicina. Outro grupo de jovens, de qualquer parte da América Latina, preferiu ingressar no curso de Energias Renováveis. O valorizado curso de Engenharia do Petróleo deixou de ser a primeira opção.

Essas cenas representam uma nova realidade na vida da juventude latino-americana, fruto da ascensão de governos e movimentos sociais de esquerda na América Latina, que tratam o ensino superior público de uma forma diferente da que vinha sendo tratada pelas elites governantes. A União Nacional dos Estudantes, ao longo de seus mais de 70 anos de história, sempre teve e defendeu como objetivos estratégicos a democratização do acesso à universidade pública e a integração da América Latina para a promoção do desenvolvimento regional sustentável e soberano.

Assim como ocorreu no combate à pobreza, no enfrentamento à crise do capitalismo neoliberal e no episódio do golpe em Honduras, o Brasil foi protagonista e exemplo para os demais países latino-americanos no tocante à expansão e remodelamento do ensino superior público. Um exemplo disso é a recente aprovação no Senado brasileiro da criação da Unila – Universidade Federal da Integração Latino Americana –, mais um grande passo que o Governo Lula dá em direção a uma nova América Latina.

A Unila é a 13ª universidade criada pelo Governo Federal, que tem a meta de construir 16 até 2010. Somando essa ebulição de novas universidades federais ao Reuni – Decreto 6.096/2.007 -, que dobrou o número de vagas nas universidades federais se compararmos com a quantidade que era oferecida em 2003, podemos notar uma vultosa recomposição dos sistema público do ensino superior, privatizado sem escrúpulos nos 8 anos de governo FHC. A Unila se insere, portanto, no nosso projeto histórico de democratização do acesso ao ensino superior, neste caso, tanto brasileiro quanto latino-americano, pois metade dos estudantes virão de outros países da América Latina.

É preciso falar também que a UNE não defende a expansão do ensino superior público por si só. Está também na ordem do dia uma reforma da universidade, para democratizar sua estrutura, reformar os currículos e colocá-la a serviço de um projeto de sociedade justa e solidária. E é nesse ponto que a Unila se torna uma medida extremamente inovadora. Sua autonomia é relativizada, tendo em vista que a produção de conhecimento é colocada em favor da busca de soluções para os problemas dos povos latino-americanos. Basta notar os programas dos cursos oferecidos - Relações Internacionais e Integração Regional; História e Direitos Humanos na América Latina; Comunicação, Poder e Mídias Digitais; Energias Renováveis; Saúde Coletiva e Preventiva, entre outros -, que colocam os interesses da população à frente dos interesses do mercado e formam não robôs que reproduzem as desigualdades do sistema capitalista, mas sim, cidadão críticos que lutam por transformações na sociedade.

É com essa visão que a UNE defende a recente criação da Unila, a expansão do ensino superior público e o aprofundamento das relações, baseadas na solidariedade e na integração entre os povos e governos latino-americanos. É preciso incluir para integrar!

* Daniel Gaspar é Diretor de Relações Internacionais da UNE – União Nacional dos Estudantes.