Poema de Pedro Amorim que pesquei do blog "Vi o Mundo" do Azenha. Faço das palavras de Pedro as minhas, se poeta fosse.
DINGOMBEL É O CARAMBA
(Pedro Amorim)
Eu, deste ano em diante
Quero um Natal diferente
Mais parecido com a gente
Tropical e delirante.
Em vez de Papai Noel
Eu quero que me apareça
Uma Mula-sem-cabeça
Um Saci e uma Curupira
Todos tomando tiquira,
Cauim ou então cachaça
Fazendo grande arruaça
Pelas ruas da cidade.
Na mesa vai ter a vontade
Feijão, arroz e farinha
Peixada, bobó, canjiquinha
Maniçoba, moqueca e cozido
E também será servido
Churrasco e, de sobremesa,
Veja você que beleza:
Quindim, pudim, casadinho,
Bombocado e cajuzinho,
Olho-de-sogra e cocada
Da branca e também da queimada;
Chega a dar água na boca.
A garganta vai estar rouca
Pois em vez dessa cantiga
Que todo ano enche o saco
Vou puxar do cavaco
E cantar sambas da antiga.
Em vez de trenó e neve
Eu
quero, na madrugada,
Ter a cabeça molhada
Por um sereno de leve
Quero que a minha gente
Se encontre e se reconheça
Olhando o outro de frente
Sabendo ser diferente
Fazendo o Natal que mereça.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Camarada Dori Esclarece
Na quarta-feira passada encontrei o ator principal do episódio não esquecido "Procurando Nemo no Maraca". Era festa de lançamento do blog "Fala Fera!" - http://blogfalafera.wordpress.com/ - na Lapa. Um lugar chamado Espaço Multifoco, interessante, fica na Mem de Sá, é fechado e segue as últimas recomendações legais de não poder fumar. Defendo a liberdade e fumar, mas meus olhos agardecem essa proibição!
O indivíduo, que se fosse pego no bafômetro naquele momento encararia uma prisão perpétua, esclareceu alguns detalhes que terceiros e quartos não souberam me dizer.
1 - O camarada caiu no chão e bateu a cabeça, mas não ficou com nenhum tipo de sangramento. Havia imaginado uma turba de urubus imprensando sua caveira contra os portões do Mário Filho.
2 - Foi atendido pelos bombeiros, que de imediato o proibiram até partida de xadrez nas próximas dez horas. Nosso camarada foi praticamente detido na porta do Maraca. Só existia uma alternativa para o nosso prisioneiro: fugir das garras daqueles que o queriam salvar para se esbaldar no caldeirão de grama, suor e xingamento que o esperava. E não deu outra! Chega a primeira desmaiada, nosso herói percebe a desatenção dos zaqueiros-bombeiros, dribla a mangueira e adentra com bola e tudo o estádio.
3 - O imemorioso, em antítese a Funes, querido personagem de Borges, foi achincalhado e abusado por seus amigo durante o jogo inteiro. Alguns ainda dizem a ele que tudo issofoi um sonho e que ele nem havia saído de casa.
O final feliz é que nosso camarada não ficou com nenhuma sequela a mais das que ele já possuía.
O indivíduo, que se fosse pego no bafômetro naquele momento encararia uma prisão perpétua, esclareceu alguns detalhes que terceiros e quartos não souberam me dizer.
1 - O camarada caiu no chão e bateu a cabeça, mas não ficou com nenhum tipo de sangramento. Havia imaginado uma turba de urubus imprensando sua caveira contra os portões do Mário Filho.
2 - Foi atendido pelos bombeiros, que de imediato o proibiram até partida de xadrez nas próximas dez horas. Nosso camarada foi praticamente detido na porta do Maraca. Só existia uma alternativa para o nosso prisioneiro: fugir das garras daqueles que o queriam salvar para se esbaldar no caldeirão de grama, suor e xingamento que o esperava. E não deu outra! Chega a primeira desmaiada, nosso herói percebe a desatenção dos zaqueiros-bombeiros, dribla a mangueira e adentra com bola e tudo o estádio.
3 - O imemorioso, em antítese a Funes, querido personagem de Borges, foi achincalhado e abusado por seus amigo durante o jogo inteiro. Alguns ainda dizem a ele que tudo issofoi um sonho e que ele nem havia saído de casa.
O final feliz é que nosso camarada não ficou com nenhuma sequela a mais das que ele já possuía.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Ergueu o tronco como uma leoa e desferiu um grito tal qual rugido contra o ar, chegara a hora. Encharcada, face a um árduo bailado de fricções e contrações, podiam ser vistos respingos lançados de seus cabelos desgrenhados. Respiração inconstante, arfava de tal forma que ele conseguia sentir seu hálito e se refrescava ao mesmo tempo em que deixava escapar um sorrisinho de soslaio. Seus olhos reviravolteavam enquanto seu pescoço se retorcia, permitindo a trêmula visão de manchetes, cartas de amor, pilhas jogadas ao chão, e parando nos olhos extasiados do homem. Os pelos pressionando a virilha dele, arranhando-as, gozo.
Dela, pendiam peitos abocanhados. Dele, sobrava satisfação.
Dela, pendiam peitos abocanhados. Dele, sobrava satisfação.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Procurando Nemo no Maraca
Essa cidade ferve em dezembro. Gente de todos os cantos e línguas decidem que o Rio de Janeiro é o local onde devem "romper" os anos e fazer oferendas à Iemanjá.
Agora, imagina essa cidade cheia com um jogo do Mengão - e olha que não sou rubro-negro, dedico-me a sofrer e rir com o Sampaio Corrêia, a Bolívia Querida do Maranhão, no Maracanã contra o Grêmio VALENDO O TÍTULO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2009. Coisa que os flamenguistas não vêem desde 92, época gloriosa do Júnior Capacete.
Domingo passado foi um desses dias impossíveis. Era impossível transitar na rua sem ver perucas e bíquinis ébrios gritando no espaço: Mengooooo!!!! Impossível se locomover na redodndezas do Mário Filho. Impossível não estar pensando em algum jogo de futebol. Botafogo e Fluminense lutavam heroicamente para não cair mais uma vez.
Pausa pra 2 piadas que ouvi do meu irmão, que deve ter pescado de um desses sites Kibe, Esfiha etc...: A torcida do Botafogo va toda pro Engenhão, pra ver mais um jogo do Glorioso. Qual o nome do filme? .... 300!!! E se a final for Fogão e Fluzão? 2012!! Perdão aos torcedores desses bravos esquadrões, mas o pior já passou pra vocês!
Eis que ontem, numa mesa de bar, o berço das grandes microhistórias contadas ou inventadas nesta cidade, um fato inusitado, trágico também, me é narrado por um grande camarada.
Imaginem como deveria estar a entrada para o jogo do Flamengo. Não devia ser da largura lata de sardinha, deveria ser, com o perdão da expressão, da finura do cu de um camarão pescado no Rio, aqueles bem miúdos, opostos aos bem dotados camarões ludovicenses.
Desespero, choro de criança, suadeira, tudo embalado ao "Vamos Flamengo, Vamos ser Campeão...". Um grupos de amigos, camaradas meus tentava adentrar a arena dos gladiadores Adriano, Bruno, Petkovic e outros que estavam mais pra cabos.
Passado o sofrimento de penetrar o Mário Filho, ops, perdão, um deles, com a aparência de quem entrou, mas esqueceu o filho lá fora, pergunta aos demais: "O que aconteceu, como entramos?". Ao que os demais respondem: "Fulano de Tal, acabamos de entrar pelo portão 50, o que houve?" E a resposta: "Bati a cabeça em algum lugar, mas não sei como aconteceu".
E o jogo começa, gol do Grêmio, gol do Flamengo, virada no segundo tempo, felicidade. O curioso é que ao longo dos 90 minutos - mais 15 de intervalo - o fulano de tal repetia a mesma pergunta: "Como eu bati cabeça?". Os outros respondiam tragicomedicamente, mas nunca deixavam o coitado sem respostas.
Alguma semelhança não é mera coincidência. Lembram-se da Dory do filme "Procurando Nemo"? Aquela que esquecia tudo de 3 em 3 minutos. Pois é, esse amigo nosso estava com memória de peixe. Vulgarmente conhecida como perda de memória recente, cientificamente, corrijam-me os médicos, de amnésia.
Ao final do jogo, um dos amigos pega a máquina fotográfica do desmemoriado e descobre que ele tirou a mesma foto 12 vezes! O homem tirava a foto, se esquecia, tirava a foto, se esquecia, 12 vezes!!!
Solução, levá-lo para o médico, interná-lo. Dizem que melhorou hoje, já fazem 3 dias. As enfermeiras falavam que de 20 em 20 minutos ele pulava do leito e gritava: " É hexa, é hexa, Mengão!" e abraçava a todos no quarto, da menina que torceu o tornozelo ao cambista que levou umas cassetetadas da polícia. Bom, algo de felicidade existe em esquecer das coisas.
Agora, imagina essa cidade cheia com um jogo do Mengão - e olha que não sou rubro-negro, dedico-me a sofrer e rir com o Sampaio Corrêia, a Bolívia Querida do Maranhão, no Maracanã contra o Grêmio VALENDO O TÍTULO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2009. Coisa que os flamenguistas não vêem desde 92, época gloriosa do Júnior Capacete.
Domingo passado foi um desses dias impossíveis. Era impossível transitar na rua sem ver perucas e bíquinis ébrios gritando no espaço: Mengooooo!!!! Impossível se locomover na redodndezas do Mário Filho. Impossível não estar pensando em algum jogo de futebol. Botafogo e Fluminense lutavam heroicamente para não cair mais uma vez.
Pausa pra 2 piadas que ouvi do meu irmão, que deve ter pescado de um desses sites Kibe, Esfiha etc...: A torcida do Botafogo va toda pro Engenhão, pra ver mais um jogo do Glorioso. Qual o nome do filme? .... 300!!! E se a final for Fogão e Fluzão? 2012!! Perdão aos torcedores desses bravos esquadrões, mas o pior já passou pra vocês!
Eis que ontem, numa mesa de bar, o berço das grandes microhistórias contadas ou inventadas nesta cidade, um fato inusitado, trágico também, me é narrado por um grande camarada.
Imaginem como deveria estar a entrada para o jogo do Flamengo. Não devia ser da largura lata de sardinha, deveria ser, com o perdão da expressão, da finura do cu de um camarão pescado no Rio, aqueles bem miúdos, opostos aos bem dotados camarões ludovicenses.
Desespero, choro de criança, suadeira, tudo embalado ao "Vamos Flamengo, Vamos ser Campeão...". Um grupos de amigos, camaradas meus tentava adentrar a arena dos gladiadores Adriano, Bruno, Petkovic e outros que estavam mais pra cabos.
Passado o sofrimento de penetrar o Mário Filho, ops, perdão, um deles, com a aparência de quem entrou, mas esqueceu o filho lá fora, pergunta aos demais: "O que aconteceu, como entramos?". Ao que os demais respondem: "Fulano de Tal, acabamos de entrar pelo portão 50, o que houve?" E a resposta: "Bati a cabeça em algum lugar, mas não sei como aconteceu".
E o jogo começa, gol do Grêmio, gol do Flamengo, virada no segundo tempo, felicidade. O curioso é que ao longo dos 90 minutos - mais 15 de intervalo - o fulano de tal repetia a mesma pergunta: "Como eu bati cabeça?". Os outros respondiam tragicomedicamente, mas nunca deixavam o coitado sem respostas.
Alguma semelhança não é mera coincidência. Lembram-se da Dory do filme "Procurando Nemo"? Aquela que esquecia tudo de 3 em 3 minutos. Pois é, esse amigo nosso estava com memória de peixe. Vulgarmente conhecida como perda de memória recente, cientificamente, corrijam-me os médicos, de amnésia.
Ao final do jogo, um dos amigos pega a máquina fotográfica do desmemoriado e descobre que ele tirou a mesma foto 12 vezes! O homem tirava a foto, se esquecia, tirava a foto, se esquecia, 12 vezes!!!
Solução, levá-lo para o médico, interná-lo. Dizem que melhorou hoje, já fazem 3 dias. As enfermeiras falavam que de 20 em 20 minutos ele pulava do leito e gritava: " É hexa, é hexa, Mengão!" e abraçava a todos no quarto, da menina que torceu o tornozelo ao cambista que levou umas cassetetadas da polícia. Bom, algo de felicidade existe em esquecer das coisas.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Pela madrugada, daqui de cima, senti sua chegada, decidida e trôpega, submetida à rua, fazendo acrobacias que a mantinham em pé e que não me faziam duvidar de sua condição. Ora, pois meu avistar confirmou-se quando, à porta, colorida, palhaça, apareceu com o rostinho inebriado, pintado levemente de branco, borrado, grosseiramente, talvez pelo suor de outros, as tranças desarrumadas, um vestido liso de camponesa amarrotado. Por outras mãos.
Deixara de lado toda a minha inferioridade ante aquela mulher, a ansiedade que me vidrara o sono, o medo que ela me impunha por ser. Por horas sequer falara com meus botões; bati, na verdade, papos incessantes com calças e camisas, conquistara o armário como amigo. Era certo que ela também não duvidava de minha condição.
Fizemos isto: passamos à cama. A noite levaria-nos à exaustão.
Deixara de lado toda a minha inferioridade ante aquela mulher, a ansiedade que me vidrara o sono, o medo que ela me impunha por ser. Por horas sequer falara com meus botões; bati, na verdade, papos incessantes com calças e camisas, conquistara o armário como amigo. Era certo que ela também não duvidava de minha condição.
Fizemos isto: passamos à cama. A noite levaria-nos à exaustão.
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