terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pela madrugada, daqui de cima, senti sua chegada, decidida e trôpega, submetida à rua, fazendo acrobacias que a mantinham em pé e que não me faziam duvidar de sua condição. Ora, pois meu avistar confirmou-se quando, à porta, colorida, palhaça, apareceu com o rostinho inebriado, pintado levemente de branco, borrado, grosseiramente, talvez pelo suor de outros, as tranças desarrumadas, um vestido liso de camponesa amarrotado. Por outras mãos.

Deixara de lado toda a minha inferioridade ante aquela mulher, a ansiedade que me vidrara o sono, o medo que ela me impunha por ser. Por horas sequer falara com meus botões; bati, na verdade, papos incessantes com calças e camisas, conquistara o armário como amigo. Era certo que ela também não duvidava de minha condição.

Fizemos isto: passamos à cama. A noite levaria-nos à exaustão.

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