quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Procurando Nemo no Maraca

Essa cidade ferve em dezembro. Gente de todos os cantos e línguas decidem que o Rio de Janeiro é o local onde devem "romper" os anos e fazer oferendas à Iemanjá.

Agora, imagina essa cidade cheia com um jogo do Mengão - e olha que não sou rubro-negro, dedico-me a sofrer e rir com o Sampaio Corrêia, a Bolívia Querida do Maranhão, no Maracanã contra o Grêmio VALENDO O TÍTULO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2009. Coisa que os flamenguistas não vêem desde 92, época gloriosa do Júnior Capacete.

Domingo passado foi um desses dias impossíveis. Era impossível transitar na rua sem ver perucas e bíquinis ébrios gritando no espaço: Mengooooo!!!! Impossível se locomover na redodndezas do Mário Filho. Impossível não estar pensando em algum jogo de futebol. Botafogo e Fluminense lutavam heroicamente para não cair mais uma vez.

Pausa pra 2 piadas que ouvi do meu irmão, que deve ter pescado de um desses sites Kibe, Esfiha etc...: A torcida do Botafogo va toda pro Engenhão, pra ver mais um jogo do Glorioso. Qual o nome do filme? .... 300!!! E se a final for Fogão e Fluzão? 2012!! Perdão aos torcedores desses bravos esquadrões, mas o pior já passou pra vocês!

Eis que ontem, numa mesa de bar, o berço das grandes microhistórias contadas ou inventadas nesta cidade, um fato inusitado, trágico também, me é narrado por um grande camarada.

Imaginem como deveria estar a entrada para o jogo do Flamengo. Não devia ser da largura lata de sardinha, deveria ser, com o perdão da expressão, da finura do cu de um camarão pescado no Rio, aqueles bem miúdos, opostos aos bem dotados camarões ludovicenses.

Desespero, choro de criança, suadeira, tudo embalado ao "Vamos Flamengo, Vamos ser Campeão...". Um grupos de amigos, camaradas meus tentava adentrar a arena dos gladiadores Adriano, Bruno, Petkovic e outros que estavam mais pra cabos.

Passado o sofrimento de penetrar o Mário Filho, ops, perdão, um deles, com a aparência de quem entrou, mas esqueceu o filho lá fora, pergunta aos demais: "O que aconteceu, como entramos?". Ao que os demais respondem: "Fulano de Tal, acabamos de entrar pelo portão 50, o que houve?" E a resposta: "Bati a cabeça em algum lugar, mas não sei como aconteceu".

E o jogo começa, gol do Grêmio, gol do Flamengo, virada no segundo tempo, felicidade. O curioso é que ao longo dos 90 minutos - mais 15 de intervalo - o fulano de tal repetia a mesma pergunta: "Como eu bati cabeça?". Os outros respondiam tragicomedicamente, mas nunca deixavam o coitado sem respostas.

Alguma semelhança não é mera coincidência. Lembram-se da Dory do filme "Procurando Nemo"? Aquela que esquecia tudo de 3 em 3 minutos. Pois é, esse amigo nosso estava com memória de peixe. Vulgarmente conhecida como perda de memória recente, cientificamente, corrijam-me os médicos, de amnésia.

Ao final do jogo, um dos amigos pega a máquina fotográfica do desmemoriado e descobre que ele tirou a mesma foto 12 vezes! O homem tirava a foto, se esquecia, tirava a foto, se esquecia, 12 vezes!!!

Solução, levá-lo para o médico, interná-lo. Dizem que melhorou hoje, já fazem 3 dias. As enfermeiras falavam que de 20 em 20 minutos ele pulava do leito e gritava: " É hexa, é hexa, Mengão!" e abraçava a todos no quarto, da menina que torceu o tornozelo ao cambista que levou umas cassetetadas da polícia. Bom, algo de felicidade existe em esquecer das coisas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário